Seu proximo AIRBNB
- 31 de mar.
- 3 min de leitura
O próximo modelo de apto de investimento ou hotel que vai reinar nos próximos 10 anos já está sendo desenhado ...

No início de 2016, quando as primeiras gestoras de locação começaram a ganhar força no Brasil, tivemos a oportunidade de trabalhar com uma startup que, na época, parecia apenas mais um experimento de mercado. Na prática, estávamos ajudando a construir um novo modelo. Estúdios compactos, unidades mais eficientes, layouts pensados para operação e não apenas para venda. Aquilo que parecia pontual acabou se tornando padrão. Hoje, vemos essas soluções sendo replicadas em inúmeros projetos muitas vezes sem questionamento. E é exatamente aí que entra uma reflexão importante. Se aquele modelo se consolidou e ainda é amplamente utilizado, qual será o próximo?E, principalmente, quem está desenhando esse próximo ciclo? Essa pergunta traz uma responsabilidade grande. Porque o que projetamos hoje, especialmente em retrofit, hotelaria e locação de curta duração, não é apenas resposta imediata. É definição de padrão. E, ao longo dos últimos meses, em viagens, visitas técnicas e observação de mercado, alguns sinais começam a se repetir de forma consistente. Não como tendência estética, mas como mudança estrutural.Entre vários movimentos possíveis, dois se destacam pela capacidade de transformar o uso real dos espaços: o sensorial e o multifuncional. |
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O primeiro deles é o sensorial. Durante muito tempo, o design foi guiado por imagem. Projetos pensados para serem vistos, fotografados e replicados. Isso funcionou enquanto o diferencial estava na estética.Mas hoje, especialmente em ativos de hospitalidade e locação, o que determina valor não é mais apenas o visual. É a experiência ao longo do tempo. Ambientes muito iluminados, excessivamente duros, com acústica ruim ou estímulos conflitantes geram desgaste. Não necessariamente imediato, mas cumulativo. O hóspede pode não saber explicar, mas sentePor outro lado, espaços mais equilibrados com iluminação indireta, materiais mais confortáveis ao toque, menos ruído visual e melhor controle acústico criam uma experiência completamente diferente.A sensação de toque, sentido nas texturas de uma cabeceira, na parede de um banheiro ou na almofada do sofá, brincam com memorias a serem criadas. O ambiente passa a acolher, não apenas funcionar.Em áreas comuns isso fica ainda mais evidente. Espaços deixam de ser apenas circulação e passam a ser permanência. Sofás mais profundos, luz mais baixa, atmosferas que lembram lounges e não salas de espera. Lugares onde as pessoas ficam.E isso tem impacto direto em operação.Mais tempo de permanência, mais uso, mais percepção de valor. |

Se em 2016 a grande ruptura foi a compactação, agora a mudança é outra: a adaptação.
A vida deixou de ser compartimentada. As pessoas trabalham, descansam, consomem conteúdo e convivem no mesmo espaço muitas vezes ao longo do mesmo dia.E os projetos ainda insistem em separar essas funções de forma rígida.É aí que surge o descompasso.Espaços multifuncionais não são apenas pequenos espaços que fazem mais coisas. São espaços que permitem mudança sem esforço.
Uma sala que pode ser estar, trabalho ou descanso. Um quarto que não é exclusivamente um quarto. Uma cozinha que pode aparecer ou desaparecer. Mobiliário que se adapta ao uso real, não ao layout idealizado.Em retrofit, isso se torna ainda mais relevante.
Trabalhar com estruturas existentes exige inteligência. Não há espaço para desperdício, nem para soluções rígidas. Cada metro precisa performar mais de uma função.Mas existe um ponto importante: multifuncionalidade não é improviso.Espaços muito pequenos, cada vez mais presentes nos empreendimentos, podem ser vividos de diversas formas; camas dobráveis e mesas que giram serão muito procuradas, com mecanismos confiáveis e de qualidade.
Projetos mal resolvidos acabam gerando desconforto. Ambientes que tentam ser tudo ao mesmo tempo e não funcionam bem em nada. O desafio está em criar transições suaves, onde o espaço muda sem esforço e sem conflito.

O erro mais comum é tratar essas mudanças como estética, como linguagem, como algo que se resolve no final do projeto.Mas elas são estruturais.Elas deveriam orientar decisões desde o início: layout, fluxos, iluminação, materialidade e até o modelo de uso do ativo.Porque, no final, o que define se um projeto se torna referência ou apenas mais um, não é o quanto ele impressiona no início.É o quanto ele continua funcionando bem ao longo do tempo.
Na Kaleidoscope, acompanhamos de perto essas transformações, não como tendência, mas como base para tomada de decisão.Porque projetar hoje não é apenas resolver um espaço.É definir um modelo.E modelos, quando bem estruturados, permanecem por anos.
Já estamos trabalhando neste próximo protótipo.Mas aqui vai um recado incorporadoras temos que mudar este layout arquitetônico nos prédios! Vamos conversar!!























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