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Do espaço técnico ao espaço emocional

  • Foto do escritor: mariana cecchini
    mariana cecchini
  • 23 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Tradicionalmente, esses ambientes eram pensados para:

  • Cumprir norma

  • Otimizar metragem

  • Reduzir custo

  • “Não chamar atenção”


O resultado?

  • Corredores longos e impessoais

  • Halls genéricos

  • Rooftops subutilizados

  • Spas isolados da vida do hotel

  • Espaços sem memória, sem identidade e sem permanência


nosso projeto para BOURBON



Ian Schrager rompe com essa lógica ao entender que a experiência do hóspede acontece, muitas vezes, entre um programa e outro.

É no caminho, na pausa, na transição.

A experiência mora nas transições


Para Schrager, o hotel é uma narrativa contínua.

 E toda narrativa precisa de ritmo.

  • O trajeto do lobby ao elevador.

  •  Do elevador ao corredor.

  •  Do corredor ao quarto.

  •  Do quarto ao rooftop.

Cada um desses momentos prepara emocionalmente o usuário para o próximo espaço.


Por isso, corredores ganham:

  • Iluminação baixa e controlada

  • Tratamento acústico

  • Materiais táteis

  • Arte e ritmo visual

  • Não são neutros. São intencionais.

Rooftop: de área “premium” a praça urbana elevada

Outro ponto central na visão de Schrager é o rooftop.



Mais do que vista, ele entende o rooftop como:

  • Um ativo urbano

  • Um ponto de mistura social

  • Um espaço democrático

  • Uma extensão da cidade

nosso projeto rooftop Hotel GUAXUPE


Quando bem pensado, o rooftop:

Atrai moradores locais

Gera fluxo constante

Muda de caráter ao longo do dia

Cria identidade e desejo

Não é um luxo opcional. É estratégia urbana.


Nosso projeto Delainn SPA


Wellness que não se esconde

Mesmo áreas tradicionalmente introspectivas, como spas, academias e piscinas, passam por uma releitura.

Na visão de Schrager:

Wellness é lifestyle

Movimento também é social

Energia faz parte do bem-estar

Academias com vista, piscinas como ponto de encontro, spas integrados ao fluxo do hotel mostram que o bem-estar não precisa ser isolado ele pode ser parte da vida coletiva.

Espaços secundários, impacto primário

Lounges discretos, bares menores, áreas de estar intermediárias e até halls de elevador são tratados como microcenários.


Esses espaços:

  • Criam camadas de uso

  • Estimulam descoberta

  • Geram sensação de pertencimento

  • Nem tudo precisa ser explícito.

 Às vezes, o mais poderoso é aquilo que parece “descoberto”.

E o que nós, designers, temos a ver com isso?


Tudo.


Se antes nosso papel era desenhar ambientes funcionais, hoje somos chamados a desenhar comportamentos.

Isso significa:


  • Parar de pensar apenas em programa

  • Começar a pensar em fluxo, tempo e permanência

  • Projetar circulação como experiência, não como sobra

  • Entender que pequenos espaços têm grande impacto simbólico

  • Defender que esses ambientes não são custo, mas ativo estratégico

  • Não projetamos corredores.

  •  Projetamos expectativa.

  • Não projetamos rooftops.

  •  Projetamos encontros.

  • Não projetamos áreas comuns.

  •  Projetamos vida acontecendo.


Guest Experience + Citizen Experience (de novo, e ainda mais forte)

Assim como nos restaurantes e bares, esses espaços funcionam melhor quando:

O hóspede se sente parte da cidade

O morador se sente convidado

O hotel atua como plataforma urbana

Quando circulação, rooftop e wellness são pensados dessa forma, o hotel deixa de ser apenas um edifício — e passa a ser um organismo vivo.

Nosso projeto de área de eventos cozzy


Conclusão

A grande lição de Ian Schrager é simples, mas profunda:

 o valor do hotel não está apenas nos quartos, mas nos momentos compartilhados fora deles.

E cabe a nós, designers, arquitetos e criativos da hospitalidade, assumir esse papel com clareza, coragem e visão.

Porque no fim, não desenhamos espaços.

 Desenhamos cenários onde a vida acontece.


Vamos continuar a conversa?

Quais hotéis no Brasil você acredita que tratam bem seus espaços “invisíveis”?Corredores, rooftops, áreas de transição e wellness já fazem parte da experiência ou ainda são tratados como secundários?

Compartilhe nos comentários. Vamos ampliar esse repertório juntos.

 
 
 

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